segunda-feira, 16 de julho de 2007

dois poemas do ApoesiApoemA - lado B

Amor e Amor
Amar Amor
(poema feito para Isana Maria)

i

Você: ela, tu, ti
abraço-ti, revigoro-me, canto-ti
eutu
sobre qualquer cama, sombra, azul, chuva, sol, uva
tueu
na difícil briga pra formar o soneto meu seu
tui
todas em uma, i.

Número irracional

ela minha vida atrevida infinita número irracional i
ir com ela apenas i infinita numeral
abstrata irracional letral plural
intelectualmente retórica amiga e virtude pra toda hora
lágrimas irreversivelmente ela minha fauna flora
ela amor e amor
ela e seu sentido aguçado
ela e seu realismo detalhado
ela e sua coragem obrigado
ela e sua ousadia, vibra em minha melancolia
ela minha poemia
minha parte insana de minha sensibilidade feminina
ela isaname isaname com fúria e exaltação
amor e amor meu coração.

TU

tu sabes que nada sô sem ocêê
quero ocêê, por querer por não ser
tu sabes que eu sozim, sem ocêê me perco, perdi
quero ocêê, por querer pra rir ir

tu minha bicho de mato, minha tatu
(e formigas e gramas e onças e clorofilas)
todas em uma, ida com tu
ida pra longe, pro mato, pro sol

tu e mim, sozim, afim
com tu vou até o arrebol
com tu pego qualquer fila

com tu rimo qualquer rima
rio do melhor fim
brigo pela melhor sina.

O meio

Amo ti
Meu si, te revir, quero te servir e ir, aqui
Digo sim
Eu ti amo
Sigo até ti, abaixo-mi por ti
Visto que tu és i de ir infinita
é ti amar amor
Você é o ti entre eu e o amor
A ti entrega eu, eu
Entrego deu, é seu.

Ti pequenina
Ti inimiga
Ti mão amiga
Ti canta
Ti desencanta
Ti feminina
Ti parte menina de minha parte masculina
Ti sina
Ti inferno
Ti incerto
Ti amar amor ao certo
Ti minha fêmea masculina, minha alma feminina
Ti minha virtude
Ti amiúde
Ti minha contrariedade
minha erro de português
minha verbo, minha amedo, minha língua brasilês.

Eutu Tueu

eutu rima com tueu
talvez neologismo de nós?
talvez só poesia?
talvez utopia?
sem tueu fica breu
com eutu não dá urubu
nem carniça, nem carnificina
talvez efedrina, dopamina?
substâncias ilícitas e amor e amor
tudo misturado,sem regra
com fardo, sem seta
tueu rima com eutu
e nós é azu e zim
azul cetim


Unifica

abraço-ti, revigoro-me, canto-ti
sobre qualquer cama, sombra, azul, chuva, sol, uva, chama
a difícil briga pra formar o soneto meu seu
é tui
você na forma de i
me isanando, isaname insana
todas na forma de uma
todas e seus espinhos e seus venenos
intrínsecos em uma
número irracional
forma quântica vertical
clichê abissal
minha amor e amor
amar amor
ocêê ta n’eu
eu to n’ocêê
tô em ti, ti ta mim
tueu rima com eutu
e tudo fica azul
cetimunifica, revigora, caminha. É assim.


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Prefácio do meio

Agonia, tanto nas coisas boas como nas coisas ruins.
Sou anomeado, descarado, depravado.
Sou uma rima com e sem pretensão, sou sim e não.
Estou.
Vou continuado e meus pés deixam rastros.
Vou devagar e sempre pela sombra, calado.
Falo o que penso, quando ou não perguntado.
Lá vem eu do São Francisco.
Lá vem eu mínimo poema de sentidos aguçados na metafísica e na orgia que é a vida.
Sou anomeado.

Único, único anomeado.
Preto e branco, até porque xérox coloridas são mais caras.
Saudade do tempo que papai e mamãe me davam dinheiro sem perguntar o porquê.
Saudade da infância.
Daquela lua e rua, que eu corria atrás da bola no baba da galera do Parque Alagoinhas.
Apeguei-me ao meu tempo passado.
Anseio o tempo próximo.
Esqueci de virar moderno, mas sou o novo.
O novo Poeta do interior baiano: Juazeiro, Alagoinhas.
Apesar de residir em São Salvador, na cidade concreta.
Aqui mar e favelas aguçam minha visão e meu ser.
Meu ser ilustrativo e sem tom.
Sem tom nas poesias que estão nestas páginas, umas descaradas, outras depravadas.
Outras apenas tristes de síndromes que persistem.
Outras tudo ou nada.
Tudo e todas renomeadas até ficarem novamente libertas anomeadas.

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