sexta-feira, 27 de julho de 2007

poemas do ApoesiApoemA -- lado B

réquiem

pessoa dentro do seu carro
com janela fechada
enclausurada
aniquilata
desequilibrada a forma que sei, vai o fato
trabalhadores aos poucos e aos muitos
um ganha, outro paga
mas na mediocridade nada desata
o vagabundo, o poeta, o leiteiro
o bêbado, o equilibrista
o engenheiro presente na forma do prédio
forma mutante e engolidora de perspectiva azul
a espera, o medo
o atrevimento
o outro e muitos outros
se saqueando se consumindo se extorquindo
com o olho com a boca
com o parto
com o sangue
com a aids
com o sexo
e criações vindas da cabeça
a cabeça que não pensa, não enxerga 360º
anestesicamente a pessoa com o vidro fechado
o preconceito o preceito o inrespeito
soluçado por horas e horas de hipocrisia
inclusive de minha parte vagabundo de carteirinha
poeta de ironia
desequilibrado da forma que sei, que passa o fato
feto morto com 30 anos, 20 anos, 60 anos
o quadrado da hipotenusa vezes o X da questão
digo de coração assim falava a canção
eu e minha solidão enfreados na paranóia interna de meu soluço
pessoa vomitando
em raves
e festa de graça em Salvador
cidade do pecado original
da mulata magistral e da branquinha
da morena
da loira sarara
de todas q sabem sorrir com jeito e loucura de poder
e q mexem em seus cabelos cheias de vontade de viver
pessoa cheia de vontade de viver
atrás da janela, da grife de moda, poeta de grife
me atirem as pedras
pessoa calada observadora sensacional
venha K me dá a mão
venha K
com furor e paixão
mas venha de pessoa
pessoa non grata
pois se fosse janela não ao menos refletiria
nem ao menos gritaria
passa o vagabundo se cala o público
ou nem presta atenção
afinal estamos no século XXI
tempo de solidão e ilusão alucinação ...
meus caros camaradas.


Bicho e branco

Bicho e branco, feio. Rasgo,
parto, bato, não perdôo. Me calo.
Sai da ponta da caneta a raiva,
o vômito, escarro (daqueles bem verdes)
sai para o seu caráter
neste poema cagado
deixo tudo melado
pra você vê a cara do ân(c)us melado
é onde eu quero que você vá
calada ou gritando, se quiser pode até bater a porta pra mim:
__ bicho e branco e preto e mudo
e nada, estático, sujo, fedorento
nojento, ânus com merda, mijo
de bêbado. Este é teu escarro.


Ao meu amor que me enche de amor

Eu vazio
Não de amor
Sim de palavras

Eu inteiro
Com minha nova tecnologia na mão
(mentiroso)

tanto lá quanto k
é mais uma letra no alfabeto
estrangeiro, estrangeira
preciso de você de novo

ligeiro
eu
lágrimas
e Saudades.


Risos e dores de ambos.
Clichê antigo e secreto.

Só porque sonho
E quero ser anjo bisonho:

Sou anjo e Diabo e Deus
Tenho asas de chumbo
Sou uma esfera crua e concreta
Sou fera e vou à bela
E choro no espelho.
No espelho tem mais e muito e muito de mim
Do que naqueles que escondo o que sonho e sonho como sonho.

Só porque sonho
E acredito, digo, dito. Dizer:
No sonho e vivo e acredito. Dizer:
Acredito no sonho e vivo.
Dito e digo, vivo o sonho. Viver.
Vivo o sonho
Vivo o sonho
Vivo o sonho. Viver.

Está vivo o sonho.
Está vivo o sonho e é de carne e seu coração pulsa em eternidade.
Em seu coração pulsante muito sangue em vermelho vermelho mais vermelho.

Só porque sonho
Eles riem de mim e sonham calados, frustrados. Riem:
patéticos, maléficos. Também rio de mim.

É pedido perdão, somos ignorantes.

Para eles, para mim
sim
Rir
Rir.
Sonho, choro, dramo, dói e ri ri ir.


Conto de fadas

Durante o dia todo
falei poucas palavras
conversei com meus suspiros
minhas fadas
no mais, eu e todos almas

quero defecar com prazer e mal cheiro
em formas de palavras
meus sentimentos clichês
eu repetitivo
sem nem o que...

talvez só eu tenha braços
talvez só eu tenha marcapasso
talvez só chorado, derrotado

quero gritar para que alguém que passe
me observe
se interesse e me diga:
_você é louco!


Os amores

As belezas são insanas
Insanas são as camas
Camas são para quem descansa
E quem ama.

Quem descansa são as flores
Que ficam paradas para serem vistas pelos amores.

Quando se amam
Os amores descansam nas camas
Em homenagem a beleza insana das flores.


Comunicação interpessoal

É alivio conversar com Deus.
Conversar só.
Ele existe em minha solidão.

Sempre há uma percepção de que alguém lhe ouve
alguém lhe sorri
ou lhe chora.

É invenção alucinação fé percepção eu.


flor

espécime outro
encontrei-a de lábios sedentos
olhos atentos
sexo aceso
em um buraco de asfalto
atacou-me fisicamente
metaforicamente
demente
sol aceso
sexo sedento
excremento

cheiro de flor e excremento

no fim onde tem o medo
no fim onde tem o medo


Preciso lucidar a minha mente
da palavra luz
e verbo dar
entregar as minhas palavras ao caminho
soltá-las ao mundo

domingo, 22 de julho de 2007

meu outro eu, ou seja, eu doutra forma. em forma de Heterônimo.

Soneto do Puto

Para o culto rimo puto
com tudo
prefiro o puto que o culto
não sou culto, sou Guto.

Mais um poeta sem classe
na frase
e sem métrica
na regra.

De coração
foda-se
vá a merda.

Minha aptidão
vai-se
só eu e ela.

ASS: Guto Sampaio

23:10h 19/07/07


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pertenço-me

depois de dançar nu banheiro
alegre
menino
vou a sala comer depressão na tv
ser agressivo
e ficar brando branco
como a parede
me abdico
e como os móveis
marrom sons
chorar
sim
chorar
glorifico e sirvo
sigo meu corpo
como um pedaço de avareza
tenho fome
como canibal
pra fora
não choro com lágrimas
como lágrimas estou pra fora
em contentamento
danço
quero aspas
não as capas
nem as pastas crônicas
e danço com esbanjamento de um solitário crônico
e ando pra um lado
e pra o outro
no entanto ando para mim
em minhas costas fardo
um ex feto
e só me vejo almejo almejo
desejo lampejo matreiro romeu
sou estomago e sexo
como tudo se não eu
sou ego e homônimo
quem disse que pertenço a você
só pertenço-me
e apenas com as coisas mortas
como com dentes e indecente
as coisas denominadas criações humanas e necessárias
onde guardo guardado no quarto do andar que vivo
minha glória e minha derrota
depois de alcançar
alçar
cansar
prego minha liberdade nu banheiro
alegre
menino
me visto estou vestido vestindo vestimenta como abrigo


ASS: José Couto


22/07/07 15:20h

quinta-feira, 19 de julho de 2007

poema do livro ApoesiApoemA

Sem nome

Jesus que conheço não é o que as religiões pregam e endeusam, não é o Jesus dos pecados e dos milagres, não é o Jesus da bíblia, que conheci quando criança. O Jesus que conheço, ninguém conhece, ninguém vê, nem mesmo vejo, sem denominação. É, eu sinto, ou não.

É Pedro Suspiro que anda pela cidade baixa, de cabisbaixa, com a fome de atenção de amor, com fome de massas, de glamour. Pedro é um político dos botecos. Pedro Suspiro, que um dia foi apóstolo de Jesus e o negou por três vezes, ou não.

É que o universo pode ser um vazio no canto da sala, cheio de átomos e perspectivas frustrantes. Pode ser que seja, pode ser que tenha, pode ser que se, ou não.

É que se o se não existisse, é que toda forma de amor e dor são iguais, é que sou dono da palavra, dono do egoísmo e dono das paixões, é que vi hoje em seus olhos os meus olhos, em meus sonhos o seu sexo é que sou seu nexo e você o meu sexo, ou não.

É que preciso ter dinheiro, preciso olhar pro lado quando vejo outro que não tem a minha cara, meu caro. E dentro dos ônibus lotados e dentro das pontes nostálgicas e dentro dos poemas clichês e dentro das meninas sorrisos e dentro de mim, ou não.

É que os sonhos apenas começam, sempre começam, é que a vida é a morte, é que deus, palavra única e dogmas únicos, é que demônios e ratos estão nos mesmos lugares, é que homens e ratos estão nos mesmos lugares, é que sonhos e ratos estão nos mesmos lugares, ou não.

É que hoje de manhã acordei sorrindo, porque ontem sonhei com ti, é que acordei te amando porque ontem gozei com ti, é que sou seu, porque ontem fui de ti, é que entrego-me, somos um, ou não.

É que todo mundo diz assim: eu tou bem, eu tou sempre bem, tou massa, tou feliz, nunca estive melhor, e você...todo mundo fica bem, todo mundo está bem, ou não.

É que as palavras todas somem de mim, é que sou interrompido, bem quisto, é que meu sorriso está entregue é que fui feliz sou feliz, é que somem as vírgulas as regras os acentos os intentos, os novos as palavras inventadas, ou não.

É atitude de falar sobre o amor, sobre as formas, sobre o cú, sobre ela: a vagina, sobre ela: a minha menina, atitude de também calar, mas pouco calo, é pouco que sinto sem falar, mas é que eu sinto, ou não.

É o equilíbrio entre o ser e o estar, é o equilíbrio que a van as asas as guardas é o esquisito o equilíbrio o êmbrio o suspiro o Pedro Suspiro e Jesus que não vejo apenas sinto, é o infinito é a delimitação do que não sei, é o que penso é o que falo é o que os outros falam é o que fazemos e fingimos que não vemos é uma nova velha torta certa contraditória situação oposição é minha alucinidade minha divindade, minha materialidade meu egoísmo meu medo e meu suspiro, ou não.

É a forma mais estranha de continuar, é a Bahia que dorme na beira da praia, são os sonhos e os donos, são as donas e suas cinturas, é o amor e seu castigo, é Jesus e Maria Madalena procriando sem que Deus saiba, é a parede branca, sala de reboco forró Gonzaga, guitarra baiana, Torquato Neto e Waly Salomão, Pedro Suspiro, e Sérgio Caetano, é aroga oigreS , é agora meus amigos , é nesta manhã, é neste minuto é neste universo no canto da sala vazia e de paredes brancas, ou não.

É que descobri que existem uns dois três mil infinitos, é que existem e não existem é que descobri um filósofo dentro de mim um semi-árido todo dentro de mim é que descobri em um boteco um político e um poeta e uma piauiense em mim é que descobri um egoísta um cego em mim é que descobri mesmo sem saber ou ver, ou não.

É porque os outros lhe apontam. É porque andam pelas sombras é porque dói nas entranhas, é porque o vício de escrever é grande, é porque a dor de não ter é grande é porque você e eu somos um, é por si e por mim, e cada um a sós, ou não.

É que o cheiro de minhas mãos estão fugindo como as outras coisas que fugiram também, é que as lágrimas sempre saem quando se diz adeus e quando se diz oi também, é que o sorriso esta tímido descaradamente como as minhas asas, é que ela nem sabe que “ela”, é ela, ou não.

É que perdido eu vou, sem nem entender, e quando entendo, não sei explicar, é que eu sinto, ou não.

Vou suspiro e vou, mesmo aqui em frente às máquinas e as dores de minha vida, de meu dia, de minha manhã, as dores de meu amor, as dores que eu levanto, beijo, arranco e novamente abraço, amor é o que eu sinto vivo, sou ti e somos nós, mas nem sabemos nem vemos, é sem denominação. Ou não.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

dois poemas do ApoesiApoemA - lado B

Amor e Amor
Amar Amor
(poema feito para Isana Maria)

i

Você: ela, tu, ti
abraço-ti, revigoro-me, canto-ti
eutu
sobre qualquer cama, sombra, azul, chuva, sol, uva
tueu
na difícil briga pra formar o soneto meu seu
tui
todas em uma, i.

Número irracional

ela minha vida atrevida infinita número irracional i
ir com ela apenas i infinita numeral
abstrata irracional letral plural
intelectualmente retórica amiga e virtude pra toda hora
lágrimas irreversivelmente ela minha fauna flora
ela amor e amor
ela e seu sentido aguçado
ela e seu realismo detalhado
ela e sua coragem obrigado
ela e sua ousadia, vibra em minha melancolia
ela minha poemia
minha parte insana de minha sensibilidade feminina
ela isaname isaname com fúria e exaltação
amor e amor meu coração.

TU

tu sabes que nada sô sem ocêê
quero ocêê, por querer por não ser
tu sabes que eu sozim, sem ocêê me perco, perdi
quero ocêê, por querer pra rir ir

tu minha bicho de mato, minha tatu
(e formigas e gramas e onças e clorofilas)
todas em uma, ida com tu
ida pra longe, pro mato, pro sol

tu e mim, sozim, afim
com tu vou até o arrebol
com tu pego qualquer fila

com tu rimo qualquer rima
rio do melhor fim
brigo pela melhor sina.

O meio

Amo ti
Meu si, te revir, quero te servir e ir, aqui
Digo sim
Eu ti amo
Sigo até ti, abaixo-mi por ti
Visto que tu és i de ir infinita
é ti amar amor
Você é o ti entre eu e o amor
A ti entrega eu, eu
Entrego deu, é seu.

Ti pequenina
Ti inimiga
Ti mão amiga
Ti canta
Ti desencanta
Ti feminina
Ti parte menina de minha parte masculina
Ti sina
Ti inferno
Ti incerto
Ti amar amor ao certo
Ti minha fêmea masculina, minha alma feminina
Ti minha virtude
Ti amiúde
Ti minha contrariedade
minha erro de português
minha verbo, minha amedo, minha língua brasilês.

Eutu Tueu

eutu rima com tueu
talvez neologismo de nós?
talvez só poesia?
talvez utopia?
sem tueu fica breu
com eutu não dá urubu
nem carniça, nem carnificina
talvez efedrina, dopamina?
substâncias ilícitas e amor e amor
tudo misturado,sem regra
com fardo, sem seta
tueu rima com eutu
e nós é azu e zim
azul cetim


Unifica

abraço-ti, revigoro-me, canto-ti
sobre qualquer cama, sombra, azul, chuva, sol, uva, chama
a difícil briga pra formar o soneto meu seu
é tui
você na forma de i
me isanando, isaname insana
todas na forma de uma
todas e seus espinhos e seus venenos
intrínsecos em uma
número irracional
forma quântica vertical
clichê abissal
minha amor e amor
amar amor
ocêê ta n’eu
eu to n’ocêê
tô em ti, ti ta mim
tueu rima com eutu
e tudo fica azul
cetimunifica, revigora, caminha. É assim.


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Prefácio do meio

Agonia, tanto nas coisas boas como nas coisas ruins.
Sou anomeado, descarado, depravado.
Sou uma rima com e sem pretensão, sou sim e não.
Estou.
Vou continuado e meus pés deixam rastros.
Vou devagar e sempre pela sombra, calado.
Falo o que penso, quando ou não perguntado.
Lá vem eu do São Francisco.
Lá vem eu mínimo poema de sentidos aguçados na metafísica e na orgia que é a vida.
Sou anomeado.

Único, único anomeado.
Preto e branco, até porque xérox coloridas são mais caras.
Saudade do tempo que papai e mamãe me davam dinheiro sem perguntar o porquê.
Saudade da infância.
Daquela lua e rua, que eu corria atrás da bola no baba da galera do Parque Alagoinhas.
Apeguei-me ao meu tempo passado.
Anseio o tempo próximo.
Esqueci de virar moderno, mas sou o novo.
O novo Poeta do interior baiano: Juazeiro, Alagoinhas.
Apesar de residir em São Salvador, na cidade concreta.
Aqui mar e favelas aguçam minha visão e meu ser.
Meu ser ilustrativo e sem tom.
Sem tom nas poesias que estão nestas páginas, umas descaradas, outras depravadas.
Outras apenas tristes de síndromes que persistem.
Outras tudo ou nada.
Tudo e todas renomeadas até ficarem novamente libertas anomeadas.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

poemas sobre amor e admiração -- poemas do ApoesiApoemA

Regime totalitarista

Pode rir agora.
Deixe que a lágrima pára.
Eu que caibo mais dentro de uma caixa escura e apertada.



Ela poema

A mim só cabe a solidão.
Poema ou punheta?
Punheta ou Ela?
A mim cabe-te em meu coração.



Haicai erótico

Tu és linda
Linda és tu
Queria saber a cor do seu cu.



Haicai erótico 1

Peitinho em pé
Peitinho caído
O importante é o comido.



Harém

Sexy
Sexy
Sexy
Sexo
OH YEAH
Sexy
OH YEAH
Sex Machine
Sex in the city
OH YEAH
Sexy
Sexo
Sexo
Vendo.



Seus olhos

Você tem olhos de diamante
Dinamite
TNT
Te

Te
T
Tesão
Quero te Ter.



Vida

Você tem um rosto de safada fada
Me excita Me
Me convida vida pra fazer vida vida
Minha uva, meu joelho, minha vida.
Meu doce, meu chão, minha a mim.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

dois poemas importantes pra os leitores

O Poeta

Quem não me lê
Não tem o direito de me chamar de Poeta.
Não me chame de Poeta.
Esse agrado falso
Deixo para os demais.
Se não me lê
Poeta
Não sou para você.

Vá se foder.

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Sem rima.

Deixei de ser nada há muito tempo.
Há muito tempo.
Há muito tempo.
Tempo muito há?

Sou José Augusto Couto
Sampaio Neto. Sem rima.
Só tenho o nome e minhas palavras
para lhe oferecer.

Você é eu.
Também sou eu.
No mundo não faltam eus e Deus.

Talvez
o silêncio nem exista
quando existe o pensamento.
Como o poeta dizia.
O poeta sempre dizia
e não vai parar de dizer. Viver.