quinta-feira, 20 de março de 2008

Caixão de luxo - Conto do livro virtual "Conto que conto a quem tem ouvido e olho."

Caixão de luxo

João conhecido como “Boca”. João conhecido como “Toquinho”. João conhecido como “Maneco”. João conhecido como “Negão”. João conhecido como “Pepe”. João conhecido como “Popó”. João conhecido como “Cinqüenta e Um”. João conhecido como “Jonny da Pedinha”. João conhecido como homem trabalhador. João conhecido como morta fome. João conhecido como pai de família desempregado e fodido. João conhecido como mendigo. João conhecido como “Doutor João Astrobaldo Alfonso Nogueira Vieira de Sá Junior, Deputado Federal e Juiz da 5º comarca de Teresina”.

Bom! Esse último “João” será noticiado no jornal como morto, sim, algum dia. Provavelmente na parte de celebridades que deixam saudade para o POVO. Esse João tem um carro importado, não anda pelos confins da estação velha de Teresina. Aquela perto do Cabral, na Avenida Miguel Rosa. Ela é reduto de fumadores de craque, ou era, até o exercito tomar conta daquela área, mas será que acabou? Naquele lugar, uma vez, um cara colocou a faca no pescoço da minha esposa. Não aconteceu nada, felizmente.

Mas para o Boca aconteceu, ele morreu. O outro João, conhecido como Boca, foi-se além.Já o João Astrobaldo, neste momento, enquanto a morte não chega, está em seu escritório lindo, com um banheiro limpo e com restos de comida no prato desperdiçado no almoço. Provavelmente esta comida vai parar em algum lixo da cidade e será catada por algum outro João.

O João o “Boca”, esta dentro de um caixão de madeira de quinta categoria com seis furos no corpo. Este morreu de graça, graças a Deus! Vá em paz João. A partir de hoje você não vai mais precisar passar fome nem chorar a melancolia da vida desgraçada que é oferecida por João.

Enquanto isso João vai ao banheiro do seu gabinete e bota tudo pra fora, com gosto e sem dor na consciência, tranqüilo, ele limpa-se com o papel higiênico com sabor morango. Por um breve momento João em seu trono sorrir. E pensa: “se eu não botar no cu deles, eles botam no meu. Por isso roubo mesmo!” Ele lembra que aqui no Brasil os políticos corruptos e juízes corruptos não têm o mesmo fim que outro João, o “João chinês”. Muito pelo contrario, o “João do voto” daqui, tem sempre um final feliz e eterno, como nos contos de fada.

O João o “Boca” em seu caixão de madeira, longe de todo o barulho do mundo reflete: “sou a favor de corruptos levarem tiros na cabeça de escopeta. Um na cabeça e outro na cara, que é pra certificar de que ele está morto e será passado”.
Que pena que o Brasil não é como a China. Lá quando o João chinês rouba de dentro de seu gabinete e é pego, este João paga a bala do único furo que ele vai levar pra o seu caixão de luxo. Mas se um dia o Brasil adotar isso, sou a favor do tiro ser na cara.

ASS: João Ninguém. – Poeta e sonhador.

4 comentários:

tita coelho disse...

Eu adorei teu conto assim que li lá no overmundo!
beijos

Layla Lauar disse...

José Augusto Sampaio, vulgo João Ninguém-Poeta e Sonhador...

Nem sei como expressar o tanto que gostei desse seu grito de revolta, de indignação em forma de crônica.

Linda, linda, parabéns...amei!

beijos procê.

cristina disse...

Filhão, sou mais romântica, mas adorei sua poesia. Voce sabe de minha torcida, acredito no seu potencial.

Sua foto podia estar melhor, vc é tão lindo!!!!!!!!!!!!!
bjus, mãe

Anônimo disse...

Arrazôo!! uma crônica impecável... (Maykell)