Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Aos Senadores

Senhor Excelentíssimo Senador Vagabundo

Vá trabalhar vagabundo.
Desce do palanque
e vem aqui embaixo
perto da farofa e das baratas.
Vem conhecer o Brasil novo mundo.

Se na dor
minha indignação só serve de poesia
e vergonha pra nação.

Vá trabalhar vagabundo.
Arregaça as mangas
e esquece o discurso
aqui embaixo não existe só antas.
Daqui dá pra vê
que o nosso dinheiro
serve pra o seu pessoal uso.

Se na dor
minha indignação só serve de poesia
e pra seu discurso lindo com paixão.

Vá trabalhar vagabundo.
Vá trabalhar sem vergonha.
Vai logo e deixa o discurso político de lado
é seu dever mostrar trabalho.

Se na dor
minha indignação só serve pra poesia
e pra atrapalhar meu coração.
Meu coração necessitado de antidepressivo
com raiva e pavor diante de seu juízo.

Se na dor só sinto motivo
indignado poetizo.
Na situação que for
banana, banana, banana pra você senador.

Vá trabalhar vagabundo
encerra este discurso
desça do seu palanque, vem aqui embaixo
onde está o Brasil perto da farofa.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

um outro poema

poetizar

a poesia está aqui
ela, toda feminina musa
entre nós
aqui a nossa volta.
eu poetizo pra vocês
e vocês poetizam para mim
a poesia está encravada em qualquer ser animado
e inanimado
mas sem vez para percebê-la
a poesia clichê, démodé
a poesia escárnio, poesia modinha de vitrine
poesia nua, pudica, a poesia periquita
a poesia do toque, do gesto
poesia do ego
poesia mal cheiro, poesia fezes, poesia cu
poesia e glória, poesia e glória
poesia sem ordem
a poesia agora
a poesia
a poesia
apoesia ... poetizar.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

O ano de 2009 está passando rápido, mas o expediente...

No trono o tempo passa mais rápido

A merda marrom e com algumas rachaduras
sorrateira caiu
Na cabeça dos políticos e dos artistas
e dos meninos
as meninas não viram, escondi.
Afinal preciso manter uma imagem.
A bosta, a merda, a fedorenta, a chula
igual este poema.
A bosta das horas que não passam
do dia que entendia meu contexto de liberdade
enfadado no meu coração.
A merda dessa rotina
que sagrada e divina, fede.
Só não mais que a bosta que caguei
e entupiu o banheiro do meu trabalho.

Mas não acabou com o expediente.

Sábado, 1 de Novembro de 2008

Novo Poema

Que rolem as cabeças

Surto psicótico: Acontece comigo nos dias antes de meu nascimento, e nos dias depois.
Passa ano, volta ano, vai sol, vem lua, e a loucura não cura, não passa, fica ordenada.
Encravada.

Vozes e risos. Choros e cios. Viço e vizinhos, espécie populosa e que incomoda.
Sol rangente de 40 graus. Sombra rangendo o alívio imediato.
Ruas com pisos fritando ovos.
Ruas sem pisos e ainda fritando ovos, recebendo merda de urubus e cheirando a gente. Humana-gente.
Ruas cheirando a restos de comida e com esgotos a céu aberto.
Nelas, vou contando os passos pelas pedras que brilham com o sol.
Pelo menos, nele, a gente descobre a nossa força e que realmente tudo derrete no fogo.
E isso é tão certo quanto a dois são quatro, quando você paga.
Dez é o outro, de mão aberta.
Mas esse outro, também é dez de mão fechada.
Assim como sou. Somos.

Devaneios:
Lúcido?
Talvez lúcifer.
Já duvido de mim, mas gosto.

Amando.
Isso sei que sim!
Muito mais fácil seria armando.
Não duvide de mim. Quero afago.

Prefiro a mim do que você.
E assim continuarei, porque sei que o reflexo vem de ti. Vice versa.
Mas eis onde está a diferença:
Se eu abaixar a cabeça, guilhotina.
Se abaixas a cabeça, olho por cima.
E vejo.

Prefiro ser canibal do que ser você.
Prefiro flutuar do que rastejar.
De seu veneno, espero, que envenene-se.
Como os urubus, jantarei você. Mas, diferente deles, o degustarei vivo.
Talvez, o que falte entre nós, não falte neste poema: sinceridade.

Quando é que olhas para mim sincero?
Quando andas sem estar torto? Torto, condizendo com alguma vertente artística!
Se não sabes o que me falar, não diga.
Mas se diga, fale a verdade.
Por certo não o culpo por todo.
Mas é certo que se mentes, também minto. Engulo a culpa. Encho outro copo.
E abertos os braços, procuro idéias, sonhando, me fingindo nada, reluto.

Transgressor.
Não revolucionário. Nunca fui. Não serei.
Quem me olha com o olhar de herói, enganado está sendo.
Por isso, sempre sincero:
“No máximo quero troca de favores e carinhos com os que me atraem.”.

Nesses dias tenho andado sem olhar os lados. Ou lábios.
Vou andando um mundo virtual. Efêmero como a fotografia.
Não no momento que foi produzida no papel. Arte.
Mas sim! No momento que é tirada.
Foi tirada. Que de certo era a realidade.
Mas virou ícone. Exposição. Informação. Comunicação. Analogia. Publicidade. Pornografia.
Virou a imagem fotográfica das asas da borboleta, que de alguns ângulos
Parece uma buceta.
Contemporânea e excitante.
Virtual. Virou

A vida vai passando e repetida passa.
Eu ando pra frente, mas outras horas, ando circular.
Me interesso pelos dois andares.
Tanto o de cima quanto o de baixo.
Finjo que nada.
Existo filosofando assim.
Quem me entende, me entende, fica feliz ou com pena.
Quem não me entende, não são entendidos por mim.
Recebe severamente o castigo.
Puno nas entrelinhas, mas não consigo evitar o açoite.

Aqui, neste verso, neste exato momento que o lê, passo a seguir, a existir.
Pois quando tocam as trombetas, os anjos
Viva meus vinte e cinco anos.
Pra eles e pra vocês
Que caia a guilhotina.

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Aos meus falsos amigos do MSN

O não bate papo virtual

MSN
Lugar pra quem entende
de mostrar Nickname.
E usar status para brincar de esconde-esconde.

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Dois poemas antigos e que têm muito haver comigo

Estado de Espírito

Quando a fumaça toca na água
a água não toca
ultrapassa.

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Refúgio

Hoje eu vou ficar
bem detrás dos meus olhos
bem no meio da minha pupila
saboreando a grande castanha que há
em meus olhos.

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Poema do meu último Livreto

Vida rotineira

Assistindo o Jornal Nacional e imaginando como o Bonner fode a Fátima.
Vendo minha esposa comer a fome num apetitoso e cheiroso cachorro quente.
Enquanto entanto estando sentado de regime como lástima.

A novela começa:
Baby para lá
Bode para cá
E Dinheiro que é bom não cai do céu.

Enquanto alguns podem
Eu nem mel.

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Poema que teve, até o momento, 800 acessos no Blog Dias Normais

O conservador

O conservador conversa no banheiro
mija sem pegar no pau
dita o erro
aplaude o certo
chega no horário
usa gravata combinando
odeia amoral
o cinto amarra-o
o cinto está acima do umbigo
em casa não se ouve um gemido
ovo mexido do lado direito do prato
arroz à grega do lado esquerdo do prato
abaixo ocupando outro espaço
a salada.
O prato forma um gráfico.

O conservador conserva a fila certa no banco
conserva a burocracia
conserva o seu cargo de última importância?
O conservador em conservas não erra
conserva a norma culta da língua.
O conservador dá risada de quem diz ocêê.
O conservador também diz ocêê?
Em casa, à noite, ele trepa sem meter.

línguaginacudedo

O conservador mostra o regulamento da cidade
para todos
viverem bem e sem medo.
É preciso conservar o conservador
quando o conservador morrer
é preciso empalhá-lo, passar verniz e fazê-lo totem.
O conservador reza tem pressa
ele segura em sua mão um terço
na outra mão ele segura um garfo
e na outra mão ele segura um copo.
O conservador não revela o que há no copo
é segredo.
O conservador tem três braços
ele é sobre-humano.
O conservador divaga: A moral.
Eu divago: Cara da Pau Brasil.

Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Novo Livreto - Forasteiro Atroz

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Poemas de saudade e do livro ApoesiApoemA

Amor Muito Amor

Amor Muito Amor
Amor Muito Amor
Amor Muito Amor
Amor Muito Amor
Amor Muito Amor

Agora vamos todos juntos gritar com as mãos ao céu
E caso você tenha alguém ao seu lado, que em sua vida represente mel
Fale baixo, com carinho e delicadeza

Amor Muito Amor



Maçã

Eu mordo a maçã
apesar de saber que prazer
é casa do diabo.



preconceito

você conhece algum aidético?
negra
você coloca em sapata?
negra
e em Claudete, você coloca (naquele travéco) ?
negra
e de maconheiro ,você gosta?
negra
quem é que você é, quem é que você goza?
negra
que é que você é, que é que você gosta?
negra

bosta
bosta
bosta
bosta


"tenho que confessar, meu preconceito é contra a bosta
depois que defeco, ela vai embora, embora, embora, embora"

não olho, finjo que não existe
negra
Salvador negra Salvador negra Salvador negra
São Salvador negra, meu coração preta.



Poema para ser recitado

Não, não parem de comer
apenas me ouçam
não desperdice este feijão
tem gente que cata do lixo
come do chão.

Eiiiiita feijão saboroso
branquinho, marronzinho, pretinho
não importa., somos humanos.
Sou bom baiano que sente dor
quanto amor.

Atiçado no acarajé abará
todo mundo gosta
mas ninguém sabe o trabalho que dá
e pra fazer, o trabalho que é
não parem de mastigar

temos que sugar o inerente
assim entregue, repentinamente
assim (percebe) de braços abertos
alma lavada
mastigada exaltada alimentada

eu baiano, triturado pelos dentes
eu baiano, nordestino, figura indulgente
brasileiro, no pátio da redenção
na pinga com mel e limão
na salada e no feijão.