quinta-feira, 24 de julho de 2008

Poema do meu último Livreto

Vida rotineira

Assistindo o Jornal Nacional e imaginando como o Bonner fode a Fátima.
Vendo minha esposa comer a fome num apetitoso e cheiroso cachorro quente.
Enquanto entanto estando sentado de regime como lástima.

A novela começa:
Baby para lá
Bode para cá
E Dinheiro que é bom não cai do céu.

Enquanto alguns podem
Eu nem mel.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Poema que teve, até o momento, 800 acessos no Blog Dias Normais

O conservador

O conservador conversa no banheiro
mija sem pegar no pau
dita o erro
aplaude o certo
chega no horário
usa gravata combinando
odeia amoral
o cinto amarra-o
o cinto está acima do umbigo
em casa não se ouve um gemido
ovo mexido do lado direito do prato
arroz à grega do lado esquerdo do prato
abaixo ocupando outro espaço
a salada.
O prato forma um gráfico.

O conservador conserva a fila certa no banco
conserva a burocracia
conserva o seu cargo de última importância?
O conservador em conservas não erra
conserva a norma culta da língua.
O conservador dá risada de quem diz ocêê.
O conservador também diz ocêê?
Em casa, à noite, ele trepa sem meter.

línguaginacudedo

O conservador mostra o regulamento da cidade
para todos
viverem bem e sem medo.
É preciso conservar o conservador
quando o conservador morrer
é preciso empalhá-lo, passar verniz e fazê-lo totem.
O conservador reza tem pressa
ele segura em sua mão um terço
na outra mão ele segura um garfo
e na outra mão ele segura um copo.
O conservador não revela o que há no copo
é segredo.
O conservador tem três braços
ele é sobre-humano.
O conservador divaga: A moral.
Eu divago: Cara da Pau Brasil.